domingo, 3 de julho de 2011

Eu me remexi várias vezes na cama… Eu queria achar a posição exata. Sim, posição para dormir. A falta dele do meu lado estava gelando meu coração. Puxei a coberta mais pra perto. Coloquei na minha mente que daqui uns dias eu estaria com ele e que tudo que eu sonhei por tanto tempo (tipo que a coberta fosse ele), se tornaria realidade. Pensei. Pensei. Pensei. Um torpedo no meu celular “Tá pensando em mim?”. Um número estranho. Não respondi. Às vezes mandaram para o número errado. Coloquei a coberta mais pra perto e coloquei a mão de baixo do meu travesseiro. Esse torpedo estava martelando minha cabeça. Peguei o celular e digitei “Quem é!?” e mandei. Aguardava a resposta do tipo “Vai pro inferno, louca! Mandei errado! Não era pra responder!” e blá blá blá. Fechei os olhos mais uma vez. Parecia impossível fechar os olhos sem pensar naquilo. Ou pensar nele. Ou pensar nessa coberta. Ou pensar no calor que meu corpo estava sentindo. Ou pensar que meu coração gelado estava batendo forte e eu nem sabia o porque. O celular tocou. Olhei no relógio… 01h23 da manhã. Respirei fundo e suspirei alto. Peguei o celular e vi… Um novo torpedo: “Você sabe quem é, meu bem. Presta atenção… Tem uma coisa na sua varanda!”. Fiquei assustada. Na minha varanda!? Quem era o maníaco que ia estar no décimo andar de um apartamento só para me ver? Vesti meu casaco, calcei minhas pantufas e fui até a varanda… Sonolenta e com medo, mas fui. Olhei… O vazio. O vento. Uma caixa de cigarros de menta e um isqueiro. Peguei meu celular e enviei outro torpedo: “Como sabe que gosto de cigarro de menta?”. Sentei no banco velho que deixo na sacada. Abri o cigarro, acendi e traguei. Passei a mão no rosto confusa. Meu celular tocou novamente: “A sua cozinha estava meio vazia…”. Comecei a ficar mesmo assustada. Havia alguém dentro do meu apartamento? Respirei fundo, terminei meu cigarro e fechei a sacada. Fui até a cozinha. Um pacote meio estranho e sujo estava na janela. Pretzels de chocolate e Frapuccino de baunilha da Starbucks. Como alguém sabia tanto sobre mim? Era minha mãe. Certeza. Peguei meu celular e mandei outro torpedo: “Você está me assustando. Diga quem é!”. Já que estava ali… Dando tudo que eu mais gostava… Eu aproveitei. Diz meu lanche da madrugada e fui deitar. Outro torpedo chegou: “Espera! Não vá até seu quarto ainda. Fique na sala.”. Isso estava me deixando incomodada. Fui até a sala. Resolvi acender mais um cigarro. Era bem vagabundo aquele cigarro, mas dava pro gasto. Na verdade, acho que era aqueles de 3,50 que vende na padaria da esquina… Como é o nome mesmo? Hollywood. Isso. Outro torpedo chegou e dessa vez bem curto: “Vá até o quarto.”. Resolvi entrar no caça ao tesouro do meu admirador secreto. Fui até meu quarto. A porta estava trancada. “A porta está trancada. Você tem alguma poção para eu diminuir e entrar pela fechadura?”, mandei o torpedo. Deslizei meu corpo até o chão. Senti a respiração de alguém atrás da porta. Encostei meu ouvido na madeira gelada. Eu estava com medo de quem fosse… Eu estava com medo de estar doida… Mas eu gostei. Gostei de tudo. Gostei de saber que sabia muito sobre mim. Gostei das surpresas. Gostei de me surpreender. Gostei tanto que estou me envolvendo no medo. Ouvi destrancarem a porta, abri a porta correndo e gritei: “Te achei!”. Mas só vi o quarto vazio. Mas que saco! Tinha uma rosa em cima da minha cama e um bilhetinha com uma letra horrorosa: “Aguarde… Durma… Espera… Esqueça… Algumas coisas só valem a pena depois que o tempo passar.” Ah não! Só podia estar brincando comigo! Fiquei nervosa. Doida. Revoltada. Liguei para o número. Caixa postal. Gritei. Reclamei. Bati. Quebrei meu vaso. Então adormeci. Chutei alguma coisa… Está do meu lado… Ai meu Deus! Não vou olhar, não vou olhar, não vou olhar, não vou olhar…

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